as pessoas se encheram
de mim e eu
delas
cada qual no seu canto
sem vistas ou palavras
trocadas, somente cada um
na sua, dividindo o sol
na cabeça e o chão
no pés
as pessoas de mim se
encheram, delas,
eu
cada um no seu
canto separado
cada um com sua
oração ao deus
que o ouça
Suas tretas
guardadas em
trouxas
seus tesouros
pesados, hematomas
roxos
Cada um que
sabe da sua se encontra unido
na ignorância do outro
separado nas tramas do mundo
ligando os
pontos de
redes de
celulares mudos sem
toques ou chamadas as
três da manhã
Sem segredos
sagrados
dados, sem olhares
cruzados, sobrados vazios
no interior do estado
sem visitas em feriados
sem trabalho
cada um
na sua condução lotada
espremido juntos com
cada um
na sua condição isolada
somado a massa de
todos vivendo cada
um
na sua,
cheias de mim
e eu delas
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
terça-feira, 6 de setembro de 2016
reconhecimento
eu nunca
vou fazer
nada decente,
você sente
o descenso dessa alma
pra nada,
além da nulidade?
eu não sou
do feitio
do bem feito
do respeito
do outro
que é
eu não sou
de um surgimento
milagroso e, grosso
só, não sou
de nenhum momento
um vento
leve, doce, simples
acontecimento
vou fazer
nada decente,
você sente
o descenso dessa alma
pra nada,
além da nulidade?
eu não sou
do feitio
do bem feito
do respeito
do outro
que é
eu não sou
de um surgimento
milagroso e, grosso
só, não sou
de nenhum momento
um vento
leve, doce, simples
acontecimento
sexta-feira, 24 de junho de 2016
eu perdi meu coração
no cruzamento
da Ipiranga com a São João
era um dia ensolarado São Paulo
as seis um tufão e
eu olhava o tráfego
pesado por onde tráfico
os sentimentos da cidade
eu perdi meu coração
na estação consolação
desci na Rua Augusta
em direção a praça Rooselvet
me abraça, me assusta
a grande prostituta com
um grande coração
São Paulo é uma puta
de luxo que nos chuta
no cruzamento
da Ipiranga com a São João
era um dia ensolarado São Paulo
as seis um tufão e
eu olhava o tráfego
pesado por onde tráfico
os sentimentos da cidade
eu perdi meu coração
na estação consolação
desci na Rua Augusta
em direção a praça Rooselvet
me abraça, me assusta
a grande prostituta com
um grande coração
São Paulo é uma puta
de luxo que nos chuta
Sumi na curva do mundo
indigente viado aidético imundo
subi na calda de uma estrela cadente
e na boca do universo vendi os dentes
sumi demais na frente de todos
um fantasma tão crente nos tolos
Anormal sensitivo chorei
lágrimas diamantes sintéticos
e uma língua amarga de prata
para lamber todos corpos sudorese paulistas de verão
Eu sou menos demais e quem olha nem vê
três copos de cachaça nega fulô e um amor de cinco segundos
quando o metro for embora sobrará somente
o vazio e a lembrança
é mais do que o mundo
merece.
indigente viado aidético imundo
subi na calda de uma estrela cadente
e na boca do universo vendi os dentes
sumi demais na frente de todos
um fantasma tão crente nos tolos
Anormal sensitivo chorei
lágrimas diamantes sintéticos
e uma língua amarga de prata
para lamber todos corpos sudorese paulistas de verão
Eu sou menos demais e quem olha nem vê
três copos de cachaça nega fulô e um amor de cinco segundos
quando o metro for embora sobrará somente
o vazio e a lembrança
é mais do que o mundo
merece.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
sábado, 4 de junho de 2016
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