quinta-feira, 22 de setembro de 2016

as pessoas se encheram
    de mim e eu
delas

cada qual no seu canto
sem vistas ou palavras
trocadas, somente cada um
na sua, dividindo o sol
na cabeça e o chão
no pés

as pessoas de mim se
    encheram, delas,
eu

cada um no seu
canto separado
cada um com sua
oração ao deus
que o ouça

Suas tretas
guardadas em
    trouxas
seus tesouros
pesados, hematomas
    roxos

Cada um que
sabe da sua se encontra unido
na ignorância do outro
separado nas tramas do mundo
ligando os
pontos de
redes de
celulares mudos sem
toques ou chamadas as
três da manhã

Sem segredos
sagrados
dados, sem olhares
cruzados, sobrados vazios
no interior do estado
sem visitas em feriados
sem trabalho


cada um
na sua condução lotada
espremido juntos com
cada um
na sua condição isolada
somado a massa de
todos vivendo cada
um

na sua,
cheias de mim
e eu delas

terça-feira, 6 de setembro de 2016

a gente faz o que
tem que fazer
daquilo que aceita
fazer do jeito que dá
pra fazer a gente faz

reconhecimento

eu nunca
       vou fazer
nada decente,
você sente
o descenso dessa alma
       pra nada,
além da nulidade?

eu não sou
do feitio
do bem feito
do respeito
do outro
que é



eu não sou
       de um surgimento
milagroso e, grosso
só, não sou
       de nenhum momento
um vento

leve, doce, simples
       acontecimento